A NECESSIDADE DE DESONERAR AS FLORESTAS PLANTADAS DOS IMPOSTOS QUE INCIDEM SOBRE P LUCRO

As florestas plantadas para a produção madeireira são caracterizadas por um fluxo de caixa incomum, em que os investimentos estão concentrados entre os anos zero e três e a receita se dá com o corte final, decorridos 10 ou 12 anos no caso do eucalipto, para a produção madeireira, ou 25 a 30 anos, no caso da teca.

Essa condição, conjugada à inflação e à falta de correção monetária dos investimentos, faz com que as empresas do ramo paguem muito mais imposto sobre o lucro do que realmente seria devido por lei.

No entanto, embora o governo negue à empresa proprietária corrigir monetariamente o valor de seus investimentos, ele reconhece, através dos índices oficiais que, de fato, a moeda nacional vem perdendo valor, ano a ano.

O IGPM de 1996 a 2007 registra atualização de 197,53%, ou seja, para se fazer justiça, as empresas deveriam ser autorizadas a atualizar seus ativos, multiplicando o valor existente por TRÊS.

Se considerarmos o custo da mão de obra, tendo por base o salário mínimo, a atualização foi ainda maior: 280%.  No caso, o fator de multiplicação seria 3,8!

Ao negar às empresas a atualização do valor dos seus ativos, o governo está cobrando muito mais imposto sobre o lucro do que lhe autoriza a lei.  

Para exemplificar a importância da atualização do valor do ativo florestal, vamos realizar o “cálculo do lucro real” para as duas situações, isto é, sem e com a atualização monetária, considerando a venda da madeira em toras na esplanada. 

Vamos considerar uma empresa que plante eucalipto, para colhê-lo aos 12 anos.  Estimamos o investimento florestal em R$ 5.000,00 por hectare.   É sabido que a maior parte do desembolso se dá entre os anos 0 e 3, com o preparo do terreno, a aquisição das mudas, adubação, plantio e tratos culturais.

Considerando uma produção de 500m3, o custo médio da madeira em pé de R$ 10,00/m3.

À falta de correção monetária, o valor destes investimentos, lançados na contabilidade como “ativo florestal”, permanece com o valor histórico, ou seja R$ 5.000,00/ha ou R$10,00/m3.

Para simplificar a demonstração, vamos desconsiderar os custos administrativos, os custos de venda e os impostos que não sejam aqueles que incidem sobre o lucro.

Vamos realizar o cálculo para duas unidades de referência: (1) o metro cúbico de madeira em tora e (2) a produção de um hectare de plantação.

Contas:

Sem correção em R$/m3       A

Com correção pelo IGPM, em R$/m3      B

1) Custo da madeira em pé na floresta, volume comercial

(10,00)

(29,75)

2) Custo de corte e baldeio

(1,50)

(1,50)

3) Total do custo de produção  ( 1+2)

(11,50)

(31,25)

4) Receita de venda

35,00

35,00

5) Lucro        (4-3)

23,50

3,75

6) Impostos sobre o lucro (5 *34,5%)

(8,11)

(1,29)

7) Lucro após os impostos sobre o lucro (5-6)

15,39

2,45

8) Caixa após os impostos sobre o lucro (4-2-6)

25,39

32,21

9) Diferença a menor no caixa ou imposto pago a mais  (8A-8B)

(6,81)

 

 

 

 

 

 

 

Contas:

Sem correção em R$/ha       A

Com correção pelo IGPM, em R$/ha      B

1) Custo da madeira em pé na floresta, volume comercial

(5.000)

(14.877)

2) Custo de corte e baldeio

(750)

(750)

3) Total do custo de produção  ( 1+2)

(5.750)

(15.627)

4) Receita de venda

17.500

17.500

5) Lucro        (4-3)

11.750

1.874

6) Impostos sobre o lucro (5 *34,5%)

(4.054)

(646)

7) Lucro após os impostos sobre o lucro (5-6)

7.696

1.227

8) Caixa após os impostos sobre o lucro (4-2-6)

12.696

16.104

9) Diferença no caixa ou imposto pago a mais  (8B-8A)

(3.407)

 

Nota: os impostos que incidem sobre o lucro, no caso da pessoa jurídica, são o Imposto de Renda, seu Adicional e a Contribuição Social Sobre o Lucro, com alíquotas de 15%, 10% e 9% respectivamente, resultando num impacto médio de 34,5%.

Portanto, nas circunstâncias acima, um produtor de eucalipto estaria sendo logrado em R$ 6,81 por metro cúbico de tora vendida, ou em R$ 3.407 por hectare vendido.  Ou seja, ele estaria sendo tributado à alíquota de 63,5% sobre o lucro real!

O presente exemplo leva em conta a falta de correção monetária dos ativos para um período de apenas 11 anos.   Imagine qual seria o impacto no caso de plantações de espécies de ciclo longo, como a teca, cujo retorno principal se dá com o corte raso aos 25 ou 30 anos.

 
Luis Flávio Veit
Cáceres Florestal S/A