| Visando o Fomento Florestal!
Ao se iniciar a década de 60 do século passado, fui convidado pela Duratex para chefiar seu serviço florestal em Jundiaí. O desafio era grande.
No começo do século, 1904, o Eng. Edmundo Navarro de Andrade havia iniciado estudos sobre o plantio de florestas para atender às necessidades da Cia. Paulista de Estrada de Ferro, ali no bairro, que acabou sendo conhecido como “do Horto”, hoje incorporado à cidade.
Ali encontrei uma grande reserva de florestas de eucaliptos, fruto do que hoje entendo como um sistema de FOMENTO extraordinário para a época. Bastava colher! Mas a empresa, previdente e percebendo um declínio acentuado pelo interesse de novos plantios, começou a plantar. O grosso da madeira era produzido por terceiros. Muitos deles passaram a ser parceiros da empreitada, fornecendo madeira para a indústria de chapas de fibras prensadas.
Tomei conhecimento, com detalhes, dos trabalhos que o saudoso colega Asdrúbal Silveira Alves vinha desenvolvendo na Champion Celulose. Encantei-me! Vi no sistema fundiário da região, com grande número de pequenas e médias propriedades, uma oportunidade de reavivar o interesse pelo plantio de florestas e obtenção de uma renda adicional garantida. Tomei coragem e fui propor trabalho semelhante ao nosso gerente, de então, o Eng. Jairo Cupertino, brilhante administrador. Ele não demorou mais que cinco minutos e ordenou: - Rensi, pode começar a distribuir mudas a partir de amanhã!
Claro que não pude atendê-lo inteiramente, mas coloquei nosso pessoal a campo. Do final do ano de 60 até meados de 61 levantamos os interessados, anunciamos a intenção de fomentar, criamos um modelo, produzimos as mudas, selecionamos parceiros e já no período das chuvas do ano de 1961, começamos a distribuir mudas e prestar informes para o plantio.
Com algum esforço chegamos ao final do período chuvoso com entrega de 800.000 mudas.
Importante! Dr. Jairo não exigiu nenhuma garantia de que os fomentados fossem obrigados a nos reservar a madeira resultante do fomento! Disse-me ele: - Havendo madeira disponível vamos buscar adquirí-la! O produtor tinha a opção da escolha! O sucesso do programa foi se instalando.
Estabelecemos um raio médio de distribuição das mudas de 60 km da fábrica. A Casa da Lavoura, da Secretaria da Agricultura do Estado, ajudou a alavancar o programa através de anúncios por nós produzidos.
O processo de integração com os proprietários rurais foi se ajustando com o passar do tempo.
As ordens de pedido e entrega deviam ser perfeitamente respeitadas. As mudas eram doadas e deviam ser retiradas nos nossos viveiros. Só exigíamos a devolução das caixas de transporte.
Para encurtar a história, que me enche de orgulho, mas não deve ser levada em conta pela meia dúzia de pessoas que a conhece agora, devo esclarecer: que no período de 1961 até 1991, quando deixei a Empresa, distribuímos 42.000.000 (quarenta e dois milhões) de mudas, suficientes para plantar 17.000 hectares de florestas de eucalipto a 60 km da fábrica.
O investimento garantiu o funcionamento da unidade de produção por mais de 30 anos. E bem!
E tem mais. A economicidade do frete garantiu um preço posto-fábrica que sempre foi o melhor de todas as unidades da empresa.
Podem confiar. É um grande negócio para quem se integrar a um programa de FOMENTO RACIONAL e INTELIGENTE.
Desculpem o jeito, mas fiz parte intensa e ativa dessa história e que me orgulha de satisfação!
Espero que possa servir de estímulo para as novas gerações de silvicultores e empresas que acreditam no fomento florestal.
Obrigado.
Antonio Sebastião Rensi Coelho
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