Baixo teor de resinas contribuiu para avanço do Pinus taeda
Pieter W. Prange*

Um dos maiores questionamentos públicos do porquê se planta e replanta muito mais com Pinus taeda do que com Pinus elliottii ou outras espécies florestais de fibra longa no Sul do País reside no desconhecimento das características e qualidades distintas dessas duas espécies florestais.

Ambas são espécies introduzidas no Sul do Brasil, com sementes provenientes da região costeira e interiorana ao longo do Golfo do México, nos Estados Unidos.

A procura por alternativas economicamente viáveis, que pudessem substituir as características e disponibilidade da madeira da espécie nativa, a Araucária angustifólia (Bert. O Ktze), o conhecido Pinheiro do Paraná, face a sua prevista escassez fez com que especialmente as indústrias de celulose existentes naquela região na década de 60 iniciassem experimentos e ensaios regionais com as duas espécies.

Inicialmente, os trabalhos em desenvolvimento pelo Serviço Florestal do Estado de S. Paulo, por volta de 1959, tentando encontrar espécies florestais alternativas às fracassadas introduções do Pinus radiata em todo o Estado de S.Paulo, foram acompanhados com muito interesse.

Tratava-se do Pinus elliottii, com mudas produzidas em São Paulo, que também foram plantadas em pequenos talhões em Santa Catarina especialmente na região de Lages, por iniciativa do engº florestal James Robert Amos, o depois famoso “Jimão”, Diretor Florestal da antiga Olinkraft.

Ocorre que a abundância de sementes disponíveis nos Estados Unidos da América e a familiaridade do engenheiro Amos com o Pinus elliottii além do sucesso do seu desenvolvimento inicial nas regiões testadas, inclusive no Sul do Estado de São Paulo, de clima mais temperado, fez multiplicar-se a escolha da espécie.

As maiores dificuldades em obter sementes das outras espécies como Pinus taeda, Pinus echinata e outras de clima temperado, também contribuíram para tornar o Pinus elliottii o preferido para os reflorestamentos voluntários por volta dos anos 60, além da grande uniformidade na germinação apresentada pela espécie.

Ocorre que esta espécie é de excelente desenvolvimento nas áreas com excedentes ou maior teor de umidade no solo. O seu elevado teor de resina, contido no tronco, entretanto, preocupava os técnicos da futura produção em grande escala de celulose e que viam neste fator um problema adicional e de elevação dos custos de produção. Isso porque a flotação do “sabão de espuma”, resultado da saponificação das resinas no processo industrial, constituíam um novo problema ainda desconhecido e preocupante.

O Pinus elliottii também apresentava uma incidência muito freqüente de “rabo de raposa” nas suas copas o que ensejava freqüentes quebras das mesmas, com danos à futura produção de madeira. Com suas ramificações mais reduzidas, também ensejava custos maiores de combate as ervas daninhas concorrentes no estágio de desenvolvimento inicial da floresta em formação, o que é indesejável.

Entretanto, em razão da sua excelente adaptação aos solos regionais, geralmente muito ácidos, as empresas continuavam a dar preferência nos plantios ao Pinus elliottii , sendo muito promissora a sua perspectiva em solos ácidos e mais baratos.

Paralelamente, contudo, desenvolvia-se no Sul do País, outras alternativas de usos de espécies de Pinus como o Pinus taeda, mais vigoroso em sua formação da copa e conseqüentemente abafando mais precocemente as ervas daninhas, e reduzindo custos de manutenção. Com a descoberta dos benefícios do fungo micorrizae, que vive necessariamente em simbiose com os Pinus, e graças à maior capacidade de síntese do P. taeda em relação ao P. elliottii , o País conseguiu encontrar uma boa alternativa e que atualmente constitui a maioria das florestas de Pinus no Sul do Brasil. A boa disponibilidade de sementes do Pinus taeda também foi determinante para o avanço do plantio da espécie, com a oferta especialmente desenvolvida e proporcionada por outro engº florestal e até hoje brasilianista, o Sr. Harry Murphy, A espécie era mais adaptável a solos mais secos e arenosos, além de ácidos como os demais da região Sul, e também não era afetada pelo clima frio da região, com suas geadas anuais

Por ter apenas um pequeno teor de resina natural na madeira, o Pinus taeda passou a ser a melhor alternativa disponível para a indústria de celulose e papéis kraft, depois que os problemas de germinação irregular foram resolvidos, com a introdução de novas e simples técnicas nos viveiros de mudas além da disponibilidade de sementes.

Hoje, em decorrência da evolução do uso do Pinus taeda, esta espécie já perfeitamente adaptada e climatizada no País, passou a ser também a principal fonte de madeira para as serrarias e indústria de móveis à base de Pinus.

* Consultor em Silvicultura.