Primeiras experiências no plantio de Araucária

Pieter W.Prange*


Dois entre os diversos pioneiros brasileiros do reflorestamento industrial no Sul do Brasil são os engenheiros holandeses Kees van der Vliet e Jan Wiilem Roorda, ambos já falecidos.

Eles chegaram ao País, após a Segunda Guerra Mundial, vindos da ilha de Java (atualmente parte da Indonésia). Vieram trabalhar na Klabin nos municípios de Arapoti e Telêmaco Borba, no Paraná, onde iniciaram o desenvolvimento de plantações de Araucária, as quais, na sua maioria, foram perdidas durante um grande incêndio florestal em 1957.

Testaram diversos métodos de manejo com a Araucária (Pinheiro do Paraná), e concluíram essencialmente que: a Araucária abomina, enquanto mudinha, estar exposta diretamente a luz solar no campo e almeja e necessita ter um sombreamento protetor da floresta primária; detesta ser plantada em forma de mudas e preferencialmente deseja ser semeada diretamente no local de crescimento definitivo; é sujeita a perdas por geadas disso resultando que requer a proteção da natureza; não é resistente ao fogo; é prejudicada pelas formigas cortadeiras como as saúvas e, acima de tudo, requer solos profundos, sem serem muito ácidos mas bem férteis.

Foi com base nessas observações elementares que ambos os técnicos concluíram que o reflorestamento com a Araucária teria suas limitações no País, o que foi confirmado posteriormente por muitos outros interessados no estabelecimento das novas florestas econômicas da Araucária no Brasil.

Foi também com base no resgate dessas informações, que o IBDF (atual IBAMA) permitiu na época dos incentivos fiscais, a partir de 1966 - quando era exigência que pelo menos um por cento de espécie florestal nativa fosse plantada em consorciação com as outras espécies econômicas -, que as empresas reflorestadoras de Santa Catarina, na região de Lages, elegessem a Araucária como a espécie mais favorável para os seus programas florestais, empregando as técnicas de associação da Araucária com os Pinus.

Graças a aqueles trabalhos pioneiros desenvolvidos na Klabin, no Paraná, muitos benefícios foram possíveis e erros evitados, nas próximas gerações de ampliação das reservas econômicas florestais no Sul do País.

* Consultor Florestal