Pinus palustris no Brasil

Pieter W. Prange (*)


A utilização de espécies florestais específicas com a especial aptidão para a produção de resina natural, nunca foi uma grande preocupação entre os plantadores de florestas no Brasil. Tampouco, levou-se a efeito a pesquisa e experimentação florestal no Brasil com diversas espécies florestais que tivessem uma comprovada utilização e aptidão de produzir a resina, como em outros países.

No Brasil, o Pinus elliottii, originário dos Estados Unidos e inicialmente plantado em larga escala, principalmente nos Estados do Sul do Brasil mas, também, no Sul do Estado de S.Paulo, sempre foi a espécie florestal naturalmente escolhida, pela sua alternativa econômica de uso e pela aptidão natural para a produção da resina bruta, destinada à produção, por destilação, de breu e terebintina (colofônia) ,entre outros produtos e sub-produtos. Porém, o Pinus.elliottii não é a espécie florestal entre as do gênero Pinus que apresenta a maior aptidão para a produção de resinas. A bem da verdade, a opção da resinagem do P. elliottii, no Sul do Estado de S.Paulo, sempre foi muito mais por falta de consumo da própria madeira, originalmente prevista para a produção de celulose e papel kraft para embalagens por uma grande empresa, que não pôde ser instalada por motivos políticos.

Introduzido em 1975, a titulo de observação e comportamento regional em Santa Catarina, o Pinus palustris é uma espécie florestal que apresenta melhores aptidões naturais para produção da resina bruta sendo também utilizada para produzir madeira estrutural e para construções, que exigem qualidade e resistência.

A introdução do Pinus palustris realizou-se,na antiga Olinkraft Celulose e Papel Ltda., no atual município de Otácilio Costa, no planalto sul catarinense e próximo de Lages, em Santa Catarina. Essa plantação encontra-se, presentemente, incorporada ao patrimônio florestal da Klabin na região.

O Pinus palustris, inicialmente, toma forma de uma touceira, muito semelhante a uma touceira do capim “barba de bode”, e usualmente, para quebrar este estágio de “dormência” vegetativo, emprega-se um fogo rápido e rasteiro na área com as mudas, causando como consequência a quebra da dormência e o crescimento do seu tronco, a partir do segundo ou terceiro ano de desenvolvimento no campo.. O crescimento aéreo das mudas de P. palustris, entretanto, é mais lento, se comparado com os seus “primos” Pinus elliottii e Pinus taeda, mas inquestionavelmente a espécie produz mais resina bruta. Geralmente, após o corte final do tronco, também é extraído o seu sistema radicular, o qual contém abundante quantidade da resina bruta. A retirada do “toco” remanescente após o corte definitivo do tronco e do seu sistema radicular é feito nos Estados Unidos com uma ferramenta especial, acoplada na frente do “U” de um trator de esteira. Essa prática é altamente econômica em termos de obtenção de volumes extras de resina bruta industrializável, mas não é aplicada até hoje no Brasil.

Existem disponibilidades de sementes nos Estados Unidos, na região sulina daquele país, principalmente nos estados de Alabama e Carolina do Sul. As árvores ainda em crescimento em Santa Catarina, no Brasil, comprovam que o estado fitossanitário das árvores não foi afetado por pragas ou doenças e apresenta-se como uma nova e interessante oportunidade alternativa comercial de longo prazo..


(*) Pieter W.Prange é Consultor Florestal Empresarial.