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"Expansão
da base florestal"
Dr. Roberto de Mello Alvarenga
A
reunião com o Ministro do Meio Ambiente, José Carlos
Carvalho, ocorrida em Brasília - DF, por iniciativa da SBS,
dia 24 de abril último, contou com a presença de representantes
dos diversos setores de base florestal: empresários, associações
de classe, prestadores de serviços, produtores rurais e outros.
Nesse
evento, Nelson Barboza Leite, presidente da SBS, teve a oportunidade
de apresentar ao Ministro as principais preocupações
do setor, ressaltadas nas dificuldades para consolidar a expansão
da base florestal, na insegurança para promover o crescimento
do setor, na fragilidade institucional da atividade florestal e,
principalmente, na dificuldade de se alcançar o devido reconhecimento
governamental pelos benefícios sociais e ambientais do setor
florestal.
O quadro
de apatia e de aversão aos reflorestamentos industriais mediante
feitos com o plantio de eucalipto, definiu-se a partir de 1986,
com a extinção dos incentivos fiscais instituídos
pela Lei 5.106 de 1966.
Relatório
do IEF de Minas Gerais mostra que, por efeito dos incentivos no
Brasil, as florestas plantadas passaram de 500.000 hectares para
5 milhões de hectares com o plantio de 8,5 bilhões
de árvores.
A continuidade
dessa expansão, entretanto, acha-se ameaçada, não
só pela falta de novos mecanismos financeiros, como pela
ação de alguns "ambientalistas", que em
nome da preservação da biodiversidade combatem o plantio
homogêneo do eucalipto e de outras espécies exóticas.
Essa
concepção, compreensível nos seus fundamentos,
está sendo levado ao exagero, com o grave comprometimento
da expansão e mesmo da manutenção dos níveis
de abastecimento das produtoras de celulose de fibra curta, da indústria
madeireira e moveleira com base em florestas plantadas e nas demais
utilizações dos produtos do reflorestamento.
A SBS,
no caso, acompanha com preocupação o ciclo evolutivo
desse procedimento, onde um ato coletivo de protesto contundente
parece valer mais do que todas as ponderações judiciosas
ou tecnicamente irrefutáveis que possam ser apresentadas
em defesa do correto entendimento das questões correlacionadas.
Essa
preocupação já permeava as considerações
contidas no trabalho Atividade Florestal no Brasil, apresentado
pela SBS no Congresso Mundial de Florestas (Paris - setembro/1991).
Naquele
documento, o capítulo das Ações Necessárias,
abrangia, dentre outros, os seguintes tópicos relacionados
ao assunto:
- Estabelecer,
em conjunto com o setor, uma política florestal no país
calcada em parâmetros reais de sustentabilidade. A política
florestal não pode ser condicionada ou caracterizada como
residual à política ambiental. Ambas devem se complementar.
- Difundir que é perfeitamente factível à atividade
florestal conciliar aspectos que conjugam objetivos econômicos
com os de preservação e conservação
ambiental, eliminando, desta forma, a abordagem inadequada de alguns
movimentos radicais.
- Conscientizar os consumidores de que será necessária
a incorporação nos preços dos produtos florestais
de todos os custos inerentes à proteção e tratamento
ambiental.
- Urgenciar a criação de linhas de crédito
nacionais e internacionais de longo prazo para financiar a formação
de florestas que contribuirão efetivamente para o estabelecimento
de novas áreas naturais de preservação permanente.
- Incentivar a exploração, sob manejo sustentado,
das florestas tropicais do país.
Pelo exposto, a pauta de sugestões e prioridades solicitada
pelo Ministro deve incluir, além da propositura de metas
e fontes de financiamento compatíveis, a retificação
de conceitos e políticas que resultem em desenvolvimento
florestal sustentável.
Roberto
de Mello Alvarenga
Consultor da SBS
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